Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo Lusofonia

De volta à “Quinta do Sol”

Foi numa estrada entre Gralheira e Soutelo que conheci Adília, ela acabara de colher cogumelos, ofereceu-me, aceitei, seguindo-se à tarde, ensolarada, com uma caminhada dialógica até a sua casa, onde nasceram seus doze irmãos, que já lá não mais estão, então, ela vai adotar um pequeno cão, para lhe fazer companhia. Oxalá, o animal lhe dê Amor, o amor que Adília exala de seus olhos, cujo brilho nos atravessa, e desafia a alma, a sentir, afinal de contas, que o Tempo sabe à cogumelos que se colhem nos campos, por onde lançamos nossos olhos, enquanto nossa mente, evapora, num sonho que contorna o Marão, e margeia ao Tâmega. Em tempos de cabras a saltar sobre telhados, este outonal cheiro de cães, as paisagens de carvalhos e rios, vilarejos que serpenteiam esperanças, e guardam segredos, num profundo silêncio, a gritar   sentimentos nesta quase-crônica sobre o Tempo que ainda é. Tempo de poesia, e de amizade, e de paixões, pela vida que se escapa às queimadas, e renasce das cin...

Há mais medo da arte do que da morte

Um espectro ronda o planeta - o espectro da Arte Contemporânea. Todas as potências unem-se numa Santa Aliança para conjurá-la. Cristão e fascistas, radicais evangélicos e mercenários, políticos e militares, de Israel, do Brasil e de Cabo Verde. O texto acima é plágio descarado do Manifesto Comunista, mas serve de “blague” para introduzir o tema deste artigo, que é o pânico que invade o mundo diante de obras de arte que colocam a sociedade a pensar sobre seus dogmas e suas regras. Somente esta semana, tivemos conhecimento de três ações de censuras contra obras de arte, que estavam expostas e foram removidas, roubadas, ou vetadas de serem expostas. Fanáticos da comunidade católica israelita, que roubaram a obra “McJesus”, do artista finlandês Jani Leinonen, de dentro do Museu de Haifa, onde acontecia uma exposição contemporânea sobre religião e fé cristã. O Museu diz que as obras da exposição são as respostas dos artistas contemporâneos a assuntos de religião e fé na atual realidade glob...

Carta do Carpinteiro para o Ferreiro dos Orixás

Considere que eu sou um jovem umbandista, apesar de minha idade madura, e apesar de sempre ter tido um pé na Umbanda, pois que meu pai me levava desde miúdo para os rituais que ele assistia, e, apesar de que, eu próprio, depois de adulto, frequentei diversas casas, mas somente há menos de um ano que me integrei de forma orgânica à UMBANDA, onde me batizei, fiz meu Anjo da guarda, a cabeça no Santo. Sou um crente intuitivo que sempre fez suas magias e estudos de forma isolada e audodidata, sempre cumpri com minhas liturgias e obrigações, de acordo com uma intuição própria, a qual seguia, até que me encontrei, e, confesso, isso mudou a minha vida, mas, mesmo assim, continuo uma pessoa holística, dessas que pesquisa como curioso, e aceita diferentes leituras e interpretações, desde que encaminhadas para o desenvolvimento do espírito. Além de Umbandista, fui batizado Cavaleiro de Aruanda na Fraternidade Branca, que é uma espécie de Escola Esotérica, cujos fundamentos iniciáticos reme...

Imigrantes brasileiros antifascistas se manifestam contra Bolsonaro no Porto

Estive num ato público convocado pela Frente de Imigrantes Brasileiros Anti-Fascistas. O ato aconteceu estar tarde, diante do Consulado Geral do Brasil no Porto (1º/01/2019). O Consulado fica próximo à Casa da Música, à Rotunda da Boavista, espaço central e cultural. Havia cerca de 150 pessoas no Ato, a maioria, jovens, alguns dos quais se revezavam para fazer suas falas pelo megafone. O  tom dos discursos era contra a eleição de Bolsonaro, no Brasil, e a ascensão do fascismo em escala global. Um documento foi distribuído aos transeuntes (foto) Nele, a coordenação do movimento esclarece a sua posição. Essa não foi a primeira manifestação que eu participei no Porto, mas foi a primeira na qual eu me manifestei. Aproveitei o espaço para me apresentar com o objetivo de me agregar aos patrícios que estão por cá e cujas ideias são as mesmas que defendo. Temos uma posição política bastante claro pela defesa dos direitos humanos e contras todas as formas de opressão e de exploração. Foi po...

El último trago não é um filme trágico

O mexicano José Alfredo Jiménez Sandoval criou temas que tocaram os corações da América Latina. Nascido em Dolores Hidalgo, Guanajuato  (19/01/1926 -   Cidade do México) e falecido a 23/11/1973,  compôs sensíveis huapangos, corridos, rancheiras. Entre as quais, “En El Ultimo Trago”, que dá nome a um filme produzido em 2014, sob a direção de Jack Zagha Kababie. É um tema tão popular que tem versões nas vozes de Júlio Iglésias e de Chiavela Vargas. Escrita por David Desola, a película é uma espécie de road movie na terra natal de Alfredo Jimenez. E tem no elenco atores veteranos conhecidos do México, alguns falecidos após as filmagens. Inclusive, uma atriz que trabalhou com Buñuel, Columba Dominguez, morreu após o filme. Além dela, Hernán Mendoza, Luisa Huertas, e Pilar Pellicer completam a constelação do elenco secundário deste filme que relata a aventura de três idosos, Emiliano (José Carlos Ruiz), Benito (Eduardo Manzano) y Agustín (Luis Bayardo). Eles s...

Ogum, um Rei sem Reino reinará em 2019

A África é um Continente, apesar de quem o pense como um país. E mesmo ao pensar em qualquer país africano, há que pensar os seus diversos territórios, culturas, em pulsão, diferentes entre si. Se pensarmos o continente africano numa dimensão religiosa, atravessaremos universos míticos desde o Budismo ao Islamismo, do Hinduísmo ao Cristianismo, do Judaísmo ao Fé Bahá’í. Todas estas culturas religiosas foram predominantes em locais específicos do continente africano, com as suas diversas formas de manifestação. E há muitos dialetos e línguas em África e suas expressões têm relação simbólica com as culturais onde eles predominam. Assim sendo, o termo candomblé (assim como umbanda) têm origem no banto. Candomblé, umbanda e macumba são as palavras que os brasileiros conhecem os cultos de matrizes africanas. Macumba Mas, apesar de ser de origem africano, o termo "macumbeiro" é demasiado pejorativo quando quer se referir a adeptos das religiões de matrizes afric...

"A peleja do Cláudio Cardoso pela poesia de cordel Amazônica"

Ele quer recuperar o cordel em Portugal, e publicar autores amazônicos em terras lusitanas. Foi por causa disso que ele atravessou o atlântico, para sondar o mercado. E, claro, ver e saudar amigos, sentir o frio da estação, e cuidar da saúde. Aos 56 anos, este cardíaco, diabético, hipertenso e renal crônico, não para. Poeta, escritor, cordelista, e organizador dos escritores paraenses, Cláudio Cardoso é um exemplo de ser humano sonhador. Publicou seu primeiro romance (“A filha do Oriente”), no ano 2000, e está a escrever seu segundo romance, “Os 12 cavalos”. Ele explica que não é uma continuação, mas parte da narrativa saiu de quatro capítulos do primeiro livre. Cláudio tem ainda cerca de três dezenas de cordéis editados, fora os inéditos, e mais os que escreve, compulsivamente. Conheceu o cordel através de Jessier Quirino, e já decorou mais de 50 textos. Acontece-lhe de escrever um cordel durante a noite e de manhã já ter outro assunto para escrever.   “Eu ...