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Elegia para Nuno Rebocho

Achei estranho quando o Nuno Rebocho apareceu à porta de uma das salas em que eu ministrava aulas na Universidade Jean Piaget, em Cabo Verde (2005). Pedi licença aos alunos do curso de Comunicação, e me dirigi aquela criatura de estatura baixa, corpo redondo, óculos rebaixado, enquanto me olhava com aqueles olhos de poeta que logo me conquistaram. Estava junto do Apolinário das Neves, e disse que desejava me fazer um convite, na altura, escrever ao jornal Liberal Online de Cabo Verde, começando-se a partir de então uma amizade sincera e profunda. Pelas mãos do Nuno Rebocho, eu fui elevado à uma condição humana que apenas os nobres a desfrutam, além das palavras. Além dos diálogos acompanhados de vinho, ele me trouxe a agradável esperança   diaspórica de um homem angustiado com o seu tempo. De alma rebelde e punhos firmes, sua poesia desnudava a condição social humano pela via de uma História real que se transfigurava em seus versos. Suas palavras eram armas e sua ...