Pular para o conteúdo principal

O que eu olho e vejo, você talvez nunca verá


Eu tenho 55 anos, e ainda hoje sei que não consigo ver diversas coisas.
Apesar dos meus estudos e de meu conhecimento.
E quanto mais aprendo, mais desconheço.
O conhecimento do Universo é infinito.
E eu serei sempre pequeno diante de sua grandeza.
Tenho esta experiência de muitas vidas e existências.
Amores, desamores, trabalhos, vagabundagens, certezas e enganos.
E tudo que eu sei, eu o sei por ter sido humilde, para o saber.
Muitas de minhas certezas apenas me retiraram das verdades.
Eu estava cego de certezas.
Ainda que busque a verdade muitas vezes vi-me diante das mentiras.
Iludi-me.
Mas, tenho me dado chances e renovado esperanças de me ver a eu próprio.
E então verei o que eu preciso ver.
O que eu olho e vejo, você talvez nunca verá.
E se ver, jamais enxergará como eu.
Temos modos de ver diferentes, a partir de nossas vivências, ainda que comuns.
Você pode demorar anos para ver o que eu olho, e vejo, subitamente.
E o que você verá, o que eu jamais verei.
É um longo tempo, este de ver.
E queremos todos ver tudo que nos seja permitido  ver.
Com o tempo que as coisas têm para que sejam vistas.
Muitas vezes as olhamos, mas não as vemos.
Porque há entre elas e nós o véu da ilusão.
Já vi tantas coisas mas é como se não tivesse visto nada.
E por isso me deixo surpreender com a vida.

Francisco Weyl


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Amaldiçoada seja a sua arte, Mojica!

Conheci Mojica em 2000. Na cidade do Porto, Potugal, onde ele participava do "Fantasporto". Fui ao hotel onde ele estava hospedado e nessa mesma hora ele me enregou duas latas de 16 milímteros com o seu "À meia-noite levarei sua alma", que projetamos em uma sessão lotada no Cineclube do Porto para estudantes da escola onde eu me formei em cinema. Então, convidei Mojica para fazer um filme, "A maldição de Zé do Caixão em comunhão com a Escola do Porto sob as bénçãos de São Francisco de Assis" (Super-8 milímetros), película que pode ser vista no youtube (http://www.youtube.com/watch?v=xXbkUOU8tdg). "A maldição..." foi o seu primeiro filme em Portugal, que estreamos em Belém durante o Concílio Artístico Luso-Brasileiro, que criou o Cineclube Amazonas Douro, o qual coordeno e do qual o Mojica é presidente de honra. E Mojica realizou conosco (um total de 13 pessoas – o número não foi por acaso) um outro flme, dessa vez, digital, o "Pará Zer...

Nos anos de 1970, ele morava na Avenida Dalva, e todo dia ele ia a feira da Marambaia

Olhando assim não dá nem pra imaginar, mas o zelador da União do Vegetal lá da praia de Salinas já foi um dos roqueiros mais doidos de Belém do Pará. Relembro de nós dois na Praça da República, foi pé do Teatro que ele urinou. Naqueles anos oitenta, noventa, quando éramos todos camaradas, e comprávamos cachaça, depois de uma coleta, entre os grupos de pobres, meio punks, meios junkers. A gente andava até as barcas atracadas no cais do Ver-o-Peso pra comprar a azulzinha que vinha lá das ilhas de Abaeté, cuja a cultura do Engenho por qualquer motivo definhou. Buscapé vem lá da Marambaia, terra sagrada, bairro que é em si a própria resistência política e cultural dos movimentos sociais comunitários que mantém acesa a chama do Boi, do batuque, da capoeira, e da poesia. Esse mulequinho, maluquinho cheirosinho, de escopeta na mão, não faz mal nem a um inseto, ao contrário, é um doce contador de causos que ele inventa e reinventa com um sabor de quem sabe que a vida é para se divertir. J...

Imigrantes brasileiros antifascistas se manifestam contra Bolsonaro no Porto

Estive num ato público convocado pela Frente de Imigrantes Brasileiros Anti-Fascistas. O ato aconteceu estar tarde, diante do Consulado Geral do Brasil no Porto (1º/01/2019). O Consulado fica próximo à Casa da Música, à Rotunda da Boavista, espaço central e cultural. Havia cerca de 150 pessoas no Ato, a maioria, jovens, alguns dos quais se revezavam para fazer suas falas pelo megafone. O  tom dos discursos era contra a eleição de Bolsonaro, no Brasil, e a ascensão do fascismo em escala global. Um documento foi distribuído aos transeuntes (foto) Nele, a coordenação do movimento esclarece a sua posição. Essa não foi a primeira manifestação que eu participei no Porto, mas foi a primeira na qual eu me manifestei. Aproveitei o espaço para me apresentar com o objetivo de me agregar aos patrícios que estão por cá e cujas ideias são as mesmas que defendo. Temos uma posição política bastante claro pela defesa dos direitos humanos e contras todas as formas de opressão e de exploração. Foi po...