Pular para o conteúdo principal

Postagens

Carta à Irmandade

Manos, estou feliz, minha vontade de vencer é bem maior que minha insegurança, e assim eu tenho dosado a vida, sem desespero e sem descuido. Neste primeiro mês, eu penso que tenho conseguido fazer o que havia me proposto, que é retomar os contatos, efetuar novos, procurar emprego, bolsas de estudos, moradia, e resolver questões de natureza burocrática. Meus planos eram de estar à casa de meu amigo Luís pelo menos um mês e no máximo até o final do ano, paralelamente, a procura de espaços, no Porto. Aqui é tranquilo, uso um pequeno quarto, que na verdade pertence a filha de meu amigo, que o ocupa quando vem cá ter, embora eles estejam nestes tempos distantes por razões familiares. Se ficar aqui mais tempo, ocuparei um quarto numa casa aqui ao lado, que pertence a uma prima de meu amigo, mas que há muitos anos não habita esta casa, que, aliás, vai à leilão. É uma casa antiga, e fria, que tem de ser melhor arranjada, como se diz por cá, mas será minha opção se eu não for ao Por...

A quinta do sol

Dia desses, fui à Quinta do Sol, um lugar mágico, que fica relativamente perto da Serra de Montemuro, mas ainda no Conselho de Viseu. No caminho, percorri uma antiga estrada que margeia o Douro, atravessa uma ponte sobre o Tãmega, e outros rios como o Bestança e o Ferreira. E passei por Marco de Canaveses, onde também fica a quinta do meu amigo Sério Fernandes. A quinta pertence a Alice Alves, uma pessoa que apenas a havia conhecido no dia anterior a minha ida até lá. E fui por uma desagradável circunstância, já que uma das vacas do caseiro de Alice havia sido envenenada. Fui para ajuda-la, portanto, nem tive tempo de desfrutar o espaço, mas o pouco tempo serviu para que meus olhos vissem o que o meu coração sente. Alice é uma pessoa que desperta simpatia quando você está perto dela. Generosa, tranquila, aproveitou para alimentar seus dois cães Serra da Estrela, às vacas, e aos canários, além de plantar flores. Na Quinta do Sol, a gente logo se conecta á natureza, em ...

De Porto a Lisboa

Bebel Luz é uma mulher madura que faz Mestrado em Estudos Culturais na Universidade de Lisboa, onde habita há quatro anos, num apartamento que divide com quatro brasileiras, no bairro da Graça. De estatura média, formas roliças e avolumadas, cabelos negros, olhos caboclos castanhos, nasceu em Bragança do Pará, e morou no periférico bairro da Marambaia, em Belém do Pará, durante anos. Não me recordo quando a conheci, mas quando a senti, ela já estava entre meus amigos portugueses que viajaram ao Brasil, quando realizamos o Concílio Artístico Luso-Brasileiro, em 2003, período em que fundamos o Cineclube Amazonas-Douro, e criamos a revista Pará Zero Zero. Reencontrá-la foi como voltar ao tempo e ao mesmo tempo avançar com ele, enquanto o experimento, neste aqui e agora, em simultâneo. Não a via desde o tempo que não via alguns de meus amigos do Porto, aos quais ela se juntara. Falamos de nós e de nossos sonhos e amigos em comum. A Bebel atravessou um vale de sombras e trou...